Sobre mim

Olá, e sejam bem-vindos. Sou Vovó Benedita Cardoso. Vivo na planície do Alentejo, entre casas caiadas de branco e azinheiras, e há cinquenta anos que cuido da minha casa, da horta e de tudo o que faz um lar. Foi aqui, com o sol quente e o silêncio da planície, que aprendi o essencial: uma casa cuida-se com jeito, e a terra retribui a quem a trata com respeito. Este site é a minha maneira de continuar a transmitir o que aprendi, a partir do caderno de notas que nunca me larga.

A casa e o quintal, antes da escola

A minha avó tinha uma casa caiada de branco no meio da planície, com a lareira sempre pronta, a despensa cheia e um quintal atrás com horta, galinhas e umas oliveiras. Em pequena, a minha tarefa era ajudar a arejar as camas de manhã, apanhar a lenha miúda e regar as couves ao fim da tarde. Ela não dava lições; punha-me a vassoura ou o regador na mão e o exemplo à frente.

Só mais tarde percebi que aquela casa era uma escola rara. No Alentejo o sol aperta e a água é pouca, e nada se deita fora: o pão de ontem vira açorda, o azeite guarda-se, a roupa seca ao sol e a casa mantém-se fresca com as paredes grossas e caiadas. Aprender a cuidar de um lar aqui é aprender a aproveitar tudo e a ter paciência com o tempo.

Cinquenta anos a cuidar de um lar

Toda a vida cuidei da minha casa e do meu quintal: a limpeza e a arrumação de cada divisão, a cozinha que alimenta a família, a roupa lavada e estendida ao sol, e depois a horta, o olival e as ervas à porta da cozinha. Nunca fui profissional de nada disto; fui filha, neta e vizinha de quem sabia, e fui apontando tudo num caderno que já vai na terceira capa.

O meu jeito: simples, poupado, sem pressa

Faço as coisas como as fazia a minha avó: com o que há em casa e sem gastar dinheiro à toa. Um pouco de vinagre, de bicarbonato, de sabão e de sol resolvem quase tudo, e o que já não serve numa coisa quase sempre serve noutra. Não corro atrás de produtos caros nem de modas; corro atrás do que funciona e dura.

E se há uma coisa que a planície me ensinou, é a não ter pressa. Cada tarefa tem o seu tempo, tal como a terra: o pão leva o seu, a roupa seca quando o sol quer, e a horta só dá quando está pronta. Com uma casa é igual — feita com calma, uma casa fica bem feita.

Os meus pequenos prazeres

De manhã cedo abro as janelas e dou a volta à casa e ao quintal com a chávena de café na mão, antes de o sol aquecer a planície. Vejo como vai a horta, troco duas palavras com as vizinhas à porta e, à tardinha, escrevo no caderno o que o dia me ensinou. São rotinas pequenas, mas é delas que se faz um lar — e uma vida.

O que vão encontrar aqui

Vão encontrar aqui, primeiro, os truques de casa que fui juntando ao longo da vida — a limpeza e a arrumação, a lavagem e o cuidado da roupa, e a cozinha do dia a dia, com a poupança sempre à frente. E, a seguir, o jardim e a horta: as hortaliças, as ervas, as flores e a defesa contra as pragas. Tudo provado na minha casa do Alentejo, explicado sem pressa e sem palavras caras.

Se as minhas palavras vos acompanharem um pouco na vossa própria casa, dou-me por contente. E se quiserem escrever-me umas linhas, encontram tudo o que é preciso na página de contacto. Fico à vossa espera.

— Vovó Benedita, desde o Alentejo